quinta-feira, 30 de setembro de 2010

DESABAFOS...

Inicio de uma nova temporada de trabalho, o tempo ainda está mal estruturado para ter uma correcta separação entre período de trabalho e o tempo de leitura, claro está que este último é o tempo de lazer. E é assim que eu me encontro nestes dias que decorreram desde o inicio do mês de Setembro. Ando toda baralha, cheia de trabalho e como é meu costume um pouco desorganizada, perdi a noção do horário laboral...ufa mas que aborrecimento!
Assim no meio de toda esta azáfama, entre o horário da escola e o tempo dedicado a preparar aulas, acabo por ficar de tal forma cansada que não me sobra tempo...e diga-se de passagem que paciência...ou será mesmo, que fico sem estrutura mental(?) para conseguir agarrar um livro e deleitar-me com as suas páginas. Mas que saudades que eu tenho de me deliciar numa saborosa atmosfera.
Não gosto nada de não ter nenhum livro entre mãos mas também não consigo continuar a ler algo que não me agarra de corpo e alma, não faz muito o meu genero ler um livro até ao fim, só pelo facto de não o ter de pousar. Se pouso um livro não quero dizer com isso que o livro que parei de ler não é um bom livro, mas simplesmente, no momento em que o estou a ler ele não consegue ligar-se comigo, ou eu com ele.
Ler é um prazer que tenho mas nestes momentos em que não sei o que desfolhar é tão complicado...Porque eu não sei estar sem um livro entre mãos. Então, começo a ler um, depois passo para outro e mais outro e não leio nenhum até ao fim, ufa que aborrecimento.
Estou a observar a minha enorme estante e olhando para um e outro livro todos eles me parecem tão interessantes...mas fica sempre a dúvida será que vou gostar de ler este ou devo pegar antes no outro??? Não fosse já isto suficiente ainda tinha que ter aliado o factor tempo, e a minha profissão que já me faz trabalhar com livros mas de outro tipo.
Pois é, e assim vou eu andando por entre um livro e outro até que esta atmosfera acalme e se habitue a estes dias, que já não são de férias...
Boas leituras:)

domingo, 12 de setembro de 2010

Comprinhas...

Já faz muito tempo que não compro um livro, se não me engano desde Março que não compro nenhum livro para me deliciar a ler, e diga-se de passagem que as tentações são enormes, pois é . E para quem adora ler deixar de saborear as novidades é algo que doi o coração. Mas existem centenas de atmosferas por ler aqui por casa daí não adquirir mais nenhuma. Este mês por razões pessoais ofereci  dois novos livros a mim mesmo, quem melhor do que eu para oferecer livros a mim?
Faz já algum tempo que andava à procura deste livro: "A Governanta, D. Maria, companheira de Salazar" do escritor Joaquim Vieira, desde que saiu em Maio que estava desejosa por lhe colocar as manipulas em cima para simplesmente saborear.
Sinopse
"Vendo chegar a viatura oficial com o porta-bagagem carregado de lenha, o chefe do Governo gritou irado à sua governanta: «Os carros do Estado não são para carregar lenha! Não consinto!». A mulher não se ficou e gritou no mesmo tom: «Merda! A lenha não é para mim, é para o Salazar!» Quem se atreveu a gritar assim a António de Oliveira Salazar, homem temido e respeitado por todos, foi Maria de Jesus Caetano Freire, a sua dedicada e fiel companheira ao longo de toda uma vida.
Nascida no seio de uma pobre família camponesa no lugar de Freixiosa da freguesia de Santa Eufémia, no concelho de Penela, distrito de Coimbra, aos 31 anos começou a servir os então lentes universitários e amigos Manuel Gonçalves Cerejeira e António de Oliveira Salazar. Seguiu este último para Lisboa (ao mesmo tempo que o primeiro subia ao lugar mais alto da hierarquia católica em Portugal) e só o abandonou quando, aos 81 anos, o ditador morreu por doença. Maria de Jesus tinha cumprido a missão da sua vida. Nunca casou, nem teve filhos.
Joaquim Vieira traz-nos a história de A Governanta, D.Maria ou Menina Maria, como Salazar gostava de tratá-la. Ninguém esteve tão perto do ditador durante o seu percurso  de poder. Ninguém o conheceu tão bem, nem partilhou tantos momentos de intimidade. Recluso e celibatário, Salazar tinha no diálogo diário com a sua governanta o único contacto com a realidade dos portugueses. Fica a questão: até que ponto a sua influência não pesou nalgumas opções governativas do homem que comandou o país durante quatro décadas?
Mulher dura, forte, atenta, de uma dedicação canina, foi intendente, organizadora das lides domésticas, secretária, companheira, portadora de recados e pedidos, informadora de murmúrios e opiniões que mais ninguém se atrevia a expressar, conselheira e até enfermeira, nos seus últimos tempos de vida, do fundador e líder do Estado Novo. D. Maria foi tudo isto, e por isso merece um lugar de destaque na História do século XX português."retirado da contracapa do livro

O livro que se segue é a delicia dos deuses que vai fazer com que eu me perca por entre as suas páginas e me apaixone ainda mais por este grande senhor da literatura em Portugal, e estou sem sombra para dúvidas a falar de António Lobo Antunes. Devo aqui confesar que mal peguei nele fui a ler durante o resto do trajecto.

Sinopse
"No armazém onde escreve, António Lobo Antunes alimenta-se da difusa claridade do criador premiado e com sucesso em todo o mundo mas, ao mesmo tempo, gasta-se na escuridão do homem marcado pelas vaidades que protagonizou no passado, por um dia de violência que não esquece em Angola e pela ausência de uma paixão que o cegue para a eternidade. Houve momentos suaves nestes meses de bastante conversa, mas não muitos, porque as suas confissões resultam do verdadeiro conflito que mantém com a vida, da contínua dificuldade em ouvir o que as vozes da literatura lhe dizem e da necessidade de deixar registado um trabalho inigualável quando comparado com os escritores contemporâneos.
Ao longo desta viagem, António Lobo Antunes sorriu e chorou, contou segredos e anedotas, blasfemou e perdoou, foi cruel com quem não se espera, nada simpático com os autores de bestsellers, deixou ver como concebe um livro do princípio ao fim, confessou o medo de um dia ser incapaz de iniciar um romance, desabafou sobre o amor falhado com a mulher da sua vida, radiografou as relações com a família, revelou o pânico de voltar a sofrer com o cancro, explicou porque é que já não espera quase nada dos anos que lhe falta viver e assumiu que as tendências suicidas ainda não o abandonaram. Uma entrevista que foi uma longa-metragem dos muitos medos e das poucas alegrias que fazem de António Lobo Antunes o único autor português que só vive para o ofício da escrita, mesmo que à beira do apocalipse pessoal.
Uma Longa Viagem com António Lobo Antunes será, a partir de agora, o retrato mais verdadeiro do escritor que sempre se proibiu de contar toda a sua verdade." retirado da contracapa do livro

E foi assim que a minha alma literária ficou completa por mais algum tempo de poupança de aquisições literárias.
Boas Atmosferas;)